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Gilgul Neshamot (Reencarnação das Almas) – Aprenda Torah

Yoel Halevi 2 comments

Eu tenho sido perguntado muitas vezes sobre o assunto de reencarnação na Bíblia e Judaísmo. Os seguintes são meus pensamentos pessoais e entendimentos, como sendo uma pessoa que tem cruzado com essa crença na corrente principal do Judaísmo hoje. Como uma pessoa que tem sido criada na Ortodoxia  e tem também recebido treinamento acadêmico, eu não consigo encontrar dados concretos sobre essa crença como uma crença antiga. Isto afeta a validade da dita crença e a abre para a crítica moderna que não pode usar fontes antigas. 

Para muitos o Tanakh não tem gravação ou crença em reencarnação  ou nenhum tipo de retorno dos mortos. Nós encontramos versos que provavelmente indicam que a morte é o estágio final:

Os mortos não podem louvar a YAH, nem aqueles que descem ao silêncio.” (Salmos  115:17)

“Assim, eu considerem os mortos mais felizes, porque eles já estavam mortos, que os vivos, que devem ainda viver suas vidas.” (Eclesiastes 4:2)

Não está claro o que exatamente  as pessoas acreditavam  durante os tempos dos Juízes e Reis, mas nós não encontramos nenhuma crença em reencarnação até muito mais tarde. As discussões mais antigas que nós encontramos  sobre o assunto pertencem ao décimo século da era comum  em diante, onde nós encontramos um debate entre muitos rabis se ou não tais crenças são parte da fé Judaica. Alguns rabis muito importantes, como Rabbenu Asher, Rambam, Rav Se’adyah e muitos mais rejeitaram tais ideias. Nós até mesmo encontramos que Rabbi Shimshon Rafael Hirsch (século 18) declarou tais crenças como sendo de origens egípcias e não parte do Judaísmo. 

O lugar mais comum onde alguém pode encontrar tais crenças e descrições muito detalhadas são em escritos Kabalísticos que brotam de pseudo-Judaísmo, que foi rejeitado por muitos Judeus durante a era do Segundo Templo. A Kabala começou como uma crença sectariana com algumas seitas que escreveram os Manuscritos do Mar Morto (ver a pesquisa do Dr. Yoseph Dan “História do Misticismo Judaico e Esoterismo, Tempos Antigos, Vol. 1, Jerusalém, 2008).

Essas crenças lentamente se infiltraram  dentro da corrente principal do Judaísmo  e se tornaram centrais após a Kabala se tornar aceitável. Contudo, um âmago de muitos Judeus continua a rejeitar essa ideia como estrangeira ao pensamento Judaico. Rachel Eliur (תורת הגלגול בספר גליא רזא מתוך: “מחקרים בקבלה בפילוסופיה יהודית ובספרות המוסר וההגות מוגשים לישעיה תשבי במלאת לו שבעים וחמש שנים” (בעריכת י’ דן וי’ הקר), ירושלים תשמ”ו: 207-239) indica que Kabala e reencarnação começaram a se tornar corrente principal no século 15, com a ascensão de Rabbi Yisrael Ashkenazi  e seu estudante Rabbi Hayim Vital. Rabbi Vital até mesmo escreveu um livro chamado “Sh’ar Hagilgulim”, onde ele descreve em detalhes muitas da revelações que ele teve sobre suas próprias reencarnações. Lendo o dito livro alguém não consegue ficar inconsciente das ideias muito incomuns e às vezes perturbadoras (na minha opinião) apresentadas nele.

Meu entendimento pessoal é que a crença veio do leste com alguns dos exilados da Babilônia. Estas crenças não eram disseminadas no Judaísmo do Segundo Templo, mas se tornaram mais e mais corrente principal quanto mais o Judaísmo ia para o exílio. Ela se tornou popular como uma explicação para quão longo o exílio é e porque tantos estavam sendo assassinados e perseguidos. Nós encontramos  em um ponto que ela era usada para explicar que existe um número finito de almas e para trazer os tempos de Messias as almas precisam acabar e a reencarnação apenas retarda o processo. Assim, existe uma necessidade para apressar o processo. Eu não posso sublinhar quão ridículo esse clamor é e como ele ignora a responsabilidade pessoal e de comunidade dos observantes da Torah em manter a Torah. Ela também ignora a maldição em Levítico 26 e Deuteronômio 28 se Israel não cumprir a Torah. A ascensão da Kabala pode ser atribuída à ascensão do interesse, durante o século 15, no movimento Cristão do neoPlatonismo, onde estudiosos Cristãos começaram a misturar ciência e misticismo em seus estudos. Contudo a Kabala data do século 13, a Rabbi Yosef bem Abraham Gikatilla e Rabbi Moshe Ben Nachman, que ambos representam uma Kabala muito inicial em seus escritos. Estes professores ensinaram seus segredos apenas a um pequeno número de pessoas em quem eles confiavam e nenhuma das ideias que eles ensinaram era para o público.

Apenas com a ascensão da Chassidut e do movimento Chassídico nós encontramos uma explosão de ensinamentos que incluem ideias Kabalísticas como um conceito de corrente principal. Deste ponto em diante a reencarnação se tornou corrente principal. Contudo, mesmo se alguma coisa se torna corrente principal, ela não necessariamente se torna verdade. Se nós não encontramos essa crença em nenhum lugar no Judaísmo antigo, muito menos no Tanakh, nós devemos tratá-la com suspeita. Existem várias ramificações de tais crenças: 

  1. A remoção da responsabilidade pessoal pelo pecado. Se alguém pode simplesmente reencarnar, não existe um ponto na punição, porque a pessoa pode apenas voltar e refazer tudo.
  2. Ela abre a Torah à introdução de magia.
  3. Ela permite o advento e introdução de ideias que não são parte da Torah. Isto é comum principalmente com a crença no poder do mal e demônios que, na minha opinião, contradizem a ideia de monoteísmo do Tanakh, que acredita que apenas YHWH tem poder.
  4. Ela pode causar a crença em predestinação e determinismo, que também contradiz a ideia de livre arbítrio. Reencarnação e Mal, de acordo com Eliur, são entrelaçadas e promovem a ideia de um poder satânico, o que é estranho ao Tanakh. 

De um modo geral, eu não encontro mérito em acreditar especificamente em reencarnação, ou Kabala em geral. Ela é, tanto em seus caminhos filosóficos e práticos (que é literalmente magia), um sistema que promove ambos, magia e misticismo, em um nível que pode e contradiz a Torah. Uma das ideias centrais na Kabala e reencarnação nos ensinamentos de Rabbi Vital tem a ver com casamento e a conexão entre masculino e feminino no mundo espiritual. Não apenas ela acredita em predestinação de casamento e almas gêmeas, ela acredita em uma união sagrada entre masculino e feminino e a crença em uma ideia de fertilidade masculina e feminina (האילן הקדוש לרמח״ל). Não se demora muito para perceber quão próximas essas ideias são à ideia de Ba’al e Asherah e fertilidade no Antigo Oriente. 

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